Maracatu Baque Mulher Desfile Oficial Carnaval 2018  

Mulheres vestem saias, soltam os cabelos e tocam tambor.
E outras mais mulheres tocam agbês, mineiros e gonguê.
Todas dançam e cantam a resistência das mulheres.
Mulheres mães, filhas, avós, guerreiras do cotidiano.
Além das lutas da sobrevivência, elas trabalham o ano inteiro – ensaiam, aprendem, ensinam – para um momento especial: o desfile oficial do Maracatu Baque Mulher!

É para este momento que queremos te convidar!
O desfile desde 2008 começa na Rua da Moeda após a cerimônia de abertura do carnaval do Recife.

DESDFILE OFICIAL DO BAQUE MULHER CARNAVAL 2018
PODER FEMININO
DIA 09 DE FEVEREIRO SEXTA-FEIRA
CONCENTRAÇÃO NA RUA DA MOEDA RECIFE ANTIGO
Informações com:(81) 9.9786-2207 (Mestra Joana) Zap
Mestra.joana@gmail.com

2008 nascia o Maracatu Baque Mulher
Fundado pela Mestra Joana Cavalcante, a primeira e única mulher à frente de uma
Nação de Maracatu, a Nação Encanto do Pina.

Anos e anos de luta para dar continuidade aos trabalhos sociais da Nação de Maracatu Encanto do Pina, Mestra Joana foi se tornando inspiração para outras mulheres que buscavam se empoderar para superar tais amarras em suas comunidades, em seus mais diversos contextos. Sendo inspiração, Mestra Joana foi se sensibilizando a necessidade de trazer à tona discussões acerca do papel da mulher no maracatu de baque virado e de como o mesmo pode potencializar mulheres não somente participantes, mas também moradoras da comunidade do Bode e seu entorno, que muitas vezes não se identificam com as expressões culturais em cena justamente por não terem o protagonismo feminino. E foi assim que ela, em 2008, idealizou e concretizou o grupo Maracatu Baque Mulher, um grupo de maracatu de baque virado composto somente por mulheres que cantam, dançam e tocam loas (canções) próprias, compostas enquanto instrumento de expressão feminina, luta e resistência pelos direitos das mulheres. Tendo suas raízes fundamentadas nas duas Nações de Maracatu de baque virado da comunidade do Bode, a Nação de Maracatu Encanto do Pina e a Nação de Maracatu Porto Rico Mestra Joana manifesta com o grupo a importância de se refletir sobre todos os tipos de violência contra a mulher, seja psicológica, verbal ou corporal, sobre o racismo contra a mulher negra, sobre a valorização das matriarcas nas tradições da religião de Matriz Africana e Indígena, sobre o poder feminino e o legado das mulheres mais velhas que lutaram por direitos básicos que hoje nos beneficiamos e, ainda, sobre o papel da mulher nas manifestações culturais. Desde então, mulheres componentes dessas duas nações e de grupos filiados de outros estados, tem se identificado com a proposta somando forças ao movimento que hoje conta com mais de 200 batuqueiras, sendo que a maioria se concentra em Recife, mas outras tantas se encontram difundidas por todo o Brasil. Por isso, acredita-se que cada vez mais o grupo Baque Mulher tem ampliado sua rede de intervenção, se tornando um movimento social de alcance nacional e que tem suas ações realizadas em cidades do norte ao sul do país. Para participar do movimento é fundamental entender a proposta e quais os fundamentos que compõem o Baque Mulher. Segundo Mestra Joana, as integrantes do Baque Mulher tocam as Nações do Pina: Porto Rico e Encanto do Pina. Outro aspecto importante para a Mestra é o uso da saia, maquiagem e cabelo solto com as cores rosa e laranja, como forma de resistência e legitimidade. O Baque Mulher traz em sua essência a força dos orixás e da Jurema Sagrada. Em fevereiro de 2016 nascia mais uma grande ação: Mestra Joana e o Baque Mulher articularam o coletivo Feminista do Baque Virado, que tem por objetivo alinhar posicionamentos e fomentar a partir do maracatu de baque virado projetos voltados para o empoderamento feminino. Assim, membras do Baque Mulher espalhadas de norte ao sul se veem motivadas a realizar ações em suas próprias comunidades, em suas escolas, em suas cidades, sempre apoiadas nos fundamentos do Baque Mulher e sob orientações de Mestra Joana.

Mestra Iyàkekerê Joana Cavalcante

Mestra Joana, mulher negra, mãe pequena do Ylê Axé Oxum Deym e militante da comunidade do Bode no bairro do Pina em Recife, carrega consigo o legado de uma das nações mais conhecidas de maracatu de baque virado, a Nação de Maracatu Encanto do Pina, sendo ela a única mulher Mestra que rege uma Nação de baque virado e que se responsabiliza pela manutenção dessa tradição afro pernambucana. A Nação de Maracatu Encanto do Pina vem acolhendo há 36 anos crianças, jovens, comunidade LGBT e idosos da comunidade do Bode e seu entorno, no intuito de proporcionar outras vivências e caminhos que saiam de seus cotidianos com tantos problemas sociais enraizados na sociedade em que estão inseridos e voltados principalmente contra eles mesmos, a comunidade negra e periférica de Recife. Nesse sentido, Mestra Joana sob os cuidados da Yalorixá Mãe Quixaba (sua avó paterna) e a Yalorixá Mãe Helena, as grandes matriarcas da Nação, proporciona junto à comunidade valores como a promoção social, o exercício dos direitos civis, o combate ao racismo, a plena proteção dos envolvidos, a integração comunitária e a formação cultural. Valores que de fato vem fazendo a diferença no presente e o futuro da Nação do Maracatu Encanto do Pina.

Baque Mulher na Festa da Lavadeira
Participou da Festa da Lavadeira em 2011.

Baque Mulher na Noite do Dendê
A Noite do Dendê é uma festa que teve sua primeira edição em 1914. Há oito anos a Nação do Maracatu Porto Rico revitalizou a tradição anual da festa que acontece no último sábado de setembro e atrai visitantes de todo Brasil. Dentre as atrações estão afoxés, grupos de coco e maracatus. O Baque Mulher participa da festa desde que foi resgatada.

Baque Mulher no Festival de Inverno de Garanhuns 2011

Baque Mulher recebe o Bloco Malagasy

O Bloco Malagasy da África, como o Baque Mulher, é formado exclusivamente por mulheres. Ao todo são 70 jovens e adolescentes que tocam percussão inspiradas no samba-rock brasileiro. O encontro com o Baque Mulher foi promovido pela Secretaria da Mulher do Recife e proporcionou uma experiência rica entre as meninas do Baque Mulher e as do Malagasy.

“Mulheres do mundo inteiro
com garra pra vencer
vamos unir as nossas forças
e fazer acontecer”
(Loa Maria da Penha)

Caminhos do Baque mulher em 2016
Desfile Oficial – Carnaval 2016

Como todos os anos desde sua fundação o Maracatu Baque Mulher realiza seu desfile oficial cuja concentração acontece na rua da moeda, após a cerimônia de abertura do carnaval do Recife. Neste dia as mulheres vestem suas saias, soltam os cabelos e tocam tambor. Em sua dança e seu canto a resistência de mulheres que trabalham o ano inteiro para aquele momento especial. Mulheres que tocam e fazem Maracatu.

Além de manterem a tradição do maracatu de baque virado que há séculos sobrevive à negligência do poder público e a consequente falta de políticas públicas que a promovam, Mestra Joana e a Yalorixá Mãe Quixaba mantém também a tradição de Matriz Africana, enfrentando perseguições e preconceitos propagados por fundamentalistas e corroborados pela mídia corporativa que silencia os casos de violência declarada à comunidade negra e sua manifestação religiosa. Sendo a única Mestra de maracatu de baque virado que já houve até o momento, ainda enfrenta diversas formas de resistência a sua posição hierárquica, interpretadas por ela e outras participantes como posicionamentos de cunho misógino e machista. Muitos foram os que não se referiram a ela como Mestra, mas apenas como Joana, enquanto homens na mesma posição eram reconhecidos como mestres.

Desfile Oficial – Carnaval 2016

Como todos os anos desde sua fundação o Maracatu Baque Mulher realiza seu desfile oficial cuja concentração acontece na Rua da Moeda, após a cerimônia de abertura do carnaval do Recife. Neste dia as mulheres vestem suas saias, soltam os cabelos e tocam tambor. Em sua dança e seu canto a resistência de mulheres que trabalham o ano inteiro para aquele momento especial. Mulheres que tocam e fazem Maracatu.

Bloco Nem com Uma Flor

Além do desfile oficial, há cinco anos o Baque Mulher se apresenta no Bloco Político Carnavalesco Nem com Uma Flor e se tornou uma das principais atrações do bloco.

“E em mulher
não se bate nem com uma flor”
Já dizia o Capiba não importa a sua cor
Baque Mulher na levada do tambor
Luta contra a violência,
o preconceito e o opressor”
Trecho da loa ÊÊÊ Ô – Mestra Joana Cavalcante

Carnaval da cidade de Surubim

O Baque Mulher se apresentou esse ano no carnaval da cidade de Surubim/ Pernambuco abrilhantando a folia do local.

8 de março na Terça Negra

No dia 8 de março o Baque Mulher se apresentou na Terça Negra, festa popular que acontece todas as terças no Pátio de São Pedro no Recife, em comemoração ao dia Internacional da Mulher.

Ensaios e ações continuadas

Durante todo o ano o Baque Mulher promove ações e campanhas de empoderamento feminino e de sororidade entre as mulheres. Pelo menos uma vez por semana as mulheres do baque se reúnem para tocar e dançar nos ensaios abertos que acontecem no Recife Antigo. Além de um momento de aprendizado é também um momento de lazer para as jovens.

Algumas campanhas

O Baque Mulher leva para as meninas da comunidade e para o Brasil campanhas em prol dos direitos das mulheres e da saúde.
O que a campanha propõe?

Todo ano Mestra Joana realiza a campanha de amadrinhamento onde apresenta crianças e jovens da comunidade e os batuqueiros e as batuqueiras escolhem quem quer apadrinhar ou amadrinhar. Com isso forma-se um laço de cuidado onde o padrinho ou madrinha passa a participar da vida do/a escolhido/a. Incentivando, ajudando financeiramente, ouvindo e principalmente criando um laço de amizade e respeito.

A principal função do projeto é apresentar pra jovem ou criança apadrinhada ou amadrinhada uma nova perspectiva, um novo olhar para seu dia-a-dia. Além de fortalecer o compromisso diário com a educação das crianças, adolescentes e jovens da comunidade. Poder dividir um pouco desse compromisso com os batuqueiros e batuqueiras é enriquecedor para todos os envolvidos. É a prova de que maracatu vai além do carnaval e do tocar, maracatu é acima de tudo união e cuidado.

Deveres dos padrinhos e madrinhas:

• Apoiar e incentivar o afilhado ou afilhada;
• Acompanhar o desempenho escolar;
• Aconselhar;
• Participar do seu dia-a-dia, mesmo que a distância;
• Fazer-se presente nas datas especiais como aniversários, Natal e outras mesmo que seja por telefonema;
• Ajudar financeiramente para educação e manutenção do afilhado ou afilhada nas atividades culturais que participa;

• Principalmente: Ter o compromisso de ser um bom amigo e boa influência na formação da afilhada/o como cidadã/o.

Dever da afilhada/o:
• Fazer-se presente no dia-a-dia do padrinho ou madrinha;
• Cumprir suas obrigações escolares com dedicação;
• Estar aberto a dialogar com seu padrinho ou madrinha;
• Cumprir as obrigações nas atividades culturais que participa.

Baque Mulher no projeto Recife Antigo de Coração

Participou do projeto Recife Antigo do Coração, uma iniciativa da Prefeitura do Recife para revitalizar o centro histórico da cidade.

Baque Mulher atravessa o Brasil

Festival Internacional da Utopia – Maricá Rio de Janeiro

O Baque Mulher participou em julho/2016 do Festival Internacional da Utopia. Um festival que acontece em vários países do mundo e veio para o Brasil, especificamente Maricá/Rio de Janeiro. As mulheres saíram com a Mestra Joana de Recife e foram participar desse evento belíssimo onde tocaram e se reuniram em rodas de diálogos emocionantes.

I Encontro Nacional Baque Mulher – Sorocaba/São Paulo

Após a criação do coletivo Feministas do Baque Virado houve um fortalecimento do Baque Mulher pelo Brasil. Desse crescimento e união nasceu o primeiro evento nacional idealizado pela Mestra Joana em parceria com o SESC Sorocaba. A união de mulheres de todo Brasil fez acontecer o I Encontro Nacional Baque Mulher. O evento trouxe jovens da comunidade do Bode que nunca haviam saído do Recife para compartilharem suas vivências quanto mulheres, mães e batuqueiras. A Mestra Joana convidou ainda para rodas de diálogos Mãe Beth de Oxum (embaixadora de Matrizes Africanas no Brasil), Tenily Guian, Nefertiti Coutinho, Roberta Marangoni e Carol Real (Batuqueiras do Baque Mulher Recife).

Mulheres do Brasil inteiro no I Encontro Nacional Baque Mulher

Participou do Encontro Navegante de Maracatu – Gèlèdé em Ribeirão Preto/São Paulo.

Representado pela Mestra Joana Cavalcante, pela Iyabá Tenily Guian (batuqueira do Baque Mulher Recife) e pelas mulheres das cidades vizinhas que tocam no baque mulher. A Mestra Joana ministrou oficinas de baque e também organizou uma das primeiras reuniões das Feministas do Baque Virado com o objetivo de organização do coletivo e das metas.

O Baque Mulher nos quatro cantos do Brasil
Hoje diversos grupos de mulheres se reúnem para tocar Baque Mulher pelo Brasil.

No Brasil:
Baque Mulher Recife (Matriz) – PE
Baque Mulher Arcoverde – PE
Baque Mulher João Pessoa – PB
Baque Mulher Rio de Janeiro – RJ
Baque Mulher Sana – RJ
Baque Mulher Santos – SP
Baque Mulher São Paulo – SP
Baque Mulher Sorocaba – SP
Baque Mulher Campinas – SP
Baque Mulher Americana -SP
Baque Mulher Bauru -SP
Baque Mulher Ubatuba – SP
Baque Mulher Carapicuíba – SP
Baque Mulher Ribeirão Preto – SP
Baque Mulher São José do Rio Preto – SP
Baque Mulher Maringá – PR
Baque Mulher Londrina – PR
Baque Mulher Foz do Iguaçu – PR
Baque Mulher Cuiabá – MT
Baque Mulher Manaus – AM
Baque Mulher Pirenópolis – GO
Baque Mulher Formosa – GO
Baque Mulher Joinville – SC
Baque Mulher Florianópolis – SC
Baque Mulher Blumenau – SC

Tem Baque Mulher atravessando fronteiras.

Internacionais:
Baque Mulher Mendoza – Argentina
Baque Mulher Berlin – Alemanha

Ficha técnica:

Texto: Soraia Melo, Mariana Bianchi, Mestra Joana e Nayara Lira
Projeto Gráfico e Diagramação: Nayara Lira, Mestra Joana
Revisão: Mariana Bianchi



  09/02/2018
  23:00
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  2018-02-09 23:00:00 2018-02-10 00:00:00 America/Sao_Paulo Maracatu Baque Mulher Desfile Oficial Carnaval 2018 Mulheres vestem saias, soltam os cabelos e tocam tambor. E outras mais mulheres tocam agbês, mineiros e gonguê. Todas dançam e cantam a resistência das mulheres. Mulheres mães, filhas, avós, guerreiras do cotidiano. Além das lutas da sobrevivência, elas trabalham o ano inteiro - ensaiam, aprendem, ensinam - para um momento especial: o desfile oficial do Maracatu Baque Mulher! É para este momento que queremos te convidar! O desfile desde 2008 começa na Rua da Moeda após a cerimônia de abertura do carnaval do Recife. DESDFILE OFICIAL DO BAQUE MULHER CARNAVAL 2018 PODER FEMININO DIA 09 DE FEVEREIRO SEXTA-FEIRA CONCENTRAÇÃO NA RUA DA MOEDA RECIFE ANTIGO Informações com:(81) 9.9786-2207 (Mestra Joana) Zap Mestra.joana@gmail.com 2008 nascia o Maracatu Baque Mulher Fundado pela Mestra Joana Cavalcante, a primeira e única mulher à frente de uma Nação de Maracatu, a Nação Encanto do Pina. Anos e anos de luta para dar continuidade aos trabalhos sociais da Nação de Maracatu Encanto do Pina, Mestra Joana foi se tornando inspiração para outras mulheres que buscavam se empoderar para superar tais amarras em suas comunidades, em seus mais diversos contextos. Sendo inspiração, Mestra Joana foi se sensibilizando a necessidade de trazer à tona discussões acerca do papel da mulher no maracatu de baque virado e de como o mesmo pode potencializar mulheres não somente participantes, mas também moradoras da comunidade do Bode e seu entorno, que muitas vezes não se identificam com as expressões culturais em cena justamente por não terem o protagonismo feminino. E foi assim que ela, em 2008, idealizou e concretizou o grupo Maracatu Baque Mulher, um grupo de maracatu de baque virado composto somente por mulheres que cantam, dançam e tocam loas (canções) próprias, compostas enquanto instrumento de expressão feminina, luta e resistência pelos direitos das mulheres. Tendo suas raízes fundamentadas nas duas Nações de Maracatu de baque virado da comunidade do Bode, a Nação de Maracatu Encanto do Pina e a Nação de Maracatu Porto Rico Mestra Joana manifesta com o grupo a importância de se refletir sobre todos os tipos de violência contra a mulher, seja psicológica, verbal ou corporal, sobre o racismo contra a mulher negra, sobre a valorização das matriarcas nas tradições da religião de Matriz Africana e Indígena, sobre o poder feminino e o legado das mulheres mais velhas que lutaram por direitos básicos que hoje nos beneficiamos e, ainda, sobre o papel da mulher nas manifestações culturais. Desde então, mulheres componentes dessas duas nações e de grupos filiados de outros estados, tem se identificado com a proposta somando forças ao movimento que hoje conta com mais de 200 batuqueiras, sendo que a maioria se concentra em Recife, mas outras tantas se encontram difundidas por todo o Brasil. Por isso, acredita-se que cada vez mais o grupo Baque Mulher tem ampliado sua rede de intervenção, se tornando um movimento social de alcance nacional e que tem suas ações realizadas em cidades do norte ao sul do país. Para participar do movimento é fundamental entender a proposta e quais os fundamentos que compõem o Baque Mulher. Segundo Mestra Joana, as integrantes do Baque Mulher tocam as Nações do Pina: Porto Rico e Encanto do Pina. Outro aspecto importante para a Mestra é o uso da saia, maquiagem e cabelo solto com as cores rosa e laranja, como forma de resistência e legitimidade. O Baque Mulher traz em sua essência a força dos orixás e da Jurema Sagrada. Em fevereiro de 2016 nascia mais uma grande ação: Mestra Joana e o Baque Mulher articularam o coletivo Feminista do Baque Virado, que tem por objetivo alinhar posicionamentos e fomentar a partir do maracatu de baque virado projetos voltados para o empoderamento feminino. Assim, membras do Baque Mulher espalhadas de norte ao sul se veem motivadas a realizar ações em suas próprias comunidades, em suas escolas, em suas cidades, sempre apoiadas nos fundamentos do Baque Mulher e sob orientações de Mestra Joana. Mestra Iyàkekerê Joana Cavalcante Mestra Joana, mulher negra, mãe pequena do Ylê Axé Oxum Deym e militante da comunidade do Bode no bairro do Pina em Recife, carrega consigo o legado de uma das nações mais conhecidas de maracatu de baque virado, a Nação de Maracatu Encanto do Pina, sendo ela a única mulher Mestra que rege uma Nação de baque virado e que se responsabiliza pela manutenção dessa tradição afro pernambucana. A Nação de Maracatu Encanto do Pina vem acolhendo há 36 anos crianças, jovens, comunidade LGBT e idosos da comunidade do Bode e seu entorno, no intuito de proporcionar outras vivências e caminhos que saiam de seus cotidianos com tantos problemas sociais enraizados na sociedade em que estão inseridos e voltados principalmente contra eles mesmos, a comunidade negra e periférica de Recife. Nesse sentido, Mestra Joana sob os cuidados da Yalorixá Mãe Quixaba (sua avó paterna) e a Yalorixá Mãe Helena, as grandes matriarcas da Nação, proporciona junto à comunidade valores como a promoção social, o exercício dos direitos civis, o combate ao racismo, a plena proteção dos envolvidos, a integração comunitária e a formação cultural. Valores que de fato vem fazendo a diferença no presente e o futuro da Nação do Maracatu Encanto do Pina. Baque Mulher na Festa da Lavadeira Participou da Festa da Lavadeira em 2011. Baque Mulher na Noite do Dendê A Noite do Dendê é uma festa que teve sua primeira edição em 1914. Há oito anos a Nação do Maracatu Porto Rico revitalizou a tradição anual da festa que acontece no último sábado de setembro e atrai visitantes de todo Brasil. Dentre as atrações estão afoxés, grupos de coco e maracatus. O Baque Mulher participa da festa desde que foi resgatada. Baque Mulher no Festival de Inverno de Garanhuns 2011 Baque Mulher recebe o Bloco Malagasy O Bloco Malagasy da África, como o Baque Mulher, é formado exclusivamente por mulheres. Ao todo são 70 jovens e adolescentes que tocam percussão inspiradas no samba-rock brasileiro. O encontro com o Baque Mulher foi promovido pela Secretaria da Mulher do Recife e proporcionou uma experiência rica entre as meninas do Baque Mulher e as do Malagasy. “Mulheres do mundo inteiro com garra pra vencer vamos unir as nossas forças e fazer acontecer” (Loa Maria da Penha) Caminhos do Baque mulher em 2016 Desfile Oficial - Carnaval 2016 Como todos os anos desde sua fundação o Maracatu Baque Mulher realiza seu desfile oficial cuja concentração acontece na rua da moeda, após a cerimônia de abertura do carnaval do Recife. Neste dia as mulheres vestem suas saias, soltam os cabelos e tocam tambor. Em sua dança e seu canto a resistência de mulheres que trabalham o ano inteiro para aquele momento especial. Mulheres que tocam e fazem Maracatu. Além de manterem a tradição do maracatu de baque virado que há séculos sobrevive à negligência do poder público e a consequente falta de políticas públicas que a promovam, Mestra Joana e a Yalorixá Mãe Quixaba mantém também a tradição de Matriz Africana, enfrentando perseguições e preconceitos propagados por fundamentalistas e corroborados pela mídia corporativa que silencia os casos de violência declarada à comunidade negra e sua manifestação religiosa. Sendo a única Mestra de maracatu de baque virado que já houve até o momento, ainda enfrenta diversas formas de resistência a sua posição hierárquica, interpretadas por ela e outras participantes como posicionamentos de cunho misógino e machista. Muitos foram os que não se referiram a ela como Mestra, mas apenas como Joana, enquanto homens na mesma posição eram reconhecidos como mestres. Desfile Oficial - Carnaval 2016 Como todos os anos desde sua fundação o Maracatu Baque Mulher realiza seu desfile oficial cuja concentração acontece na Rua da Moeda, após a cerimônia de abertura do carnaval do Recife. Neste dia as mulheres vestem suas saias, soltam os cabelos e tocam tambor. Em sua dança e seu canto a resistência de mulheres que trabalham o ano inteiro para aquele momento especial. Mulheres que tocam e fazem Maracatu. Bloco Nem com Uma Flor Além do desfile oficial, há cinco anos o Baque Mulher se apresenta no Bloco Político Carnavalesco Nem com Uma Flor e se tornou uma das principais atrações do bloco. “E em mulher não se bate nem com uma flor” Já dizia o Capiba não importa a sua cor Baque Mulher na levada do tambor Luta contra a violência, o preconceito e o opressor” Trecho da loa ÊÊÊ Ô - Mestra Joana Cavalcante Carnaval da cidade de Surubim O Baque Mulher se apresentou esse ano no carnaval da cidade de Surubim/ Pernambuco abrilhantando a folia do local. 8 de março na Terça Negra No dia 8 de março o Baque Mulher se apresentou na Terça Negra, festa popular que acontece todas as terças no Pátio de São Pedro no Recife, em comemoração ao dia Internacional da Mulher. Ensaios e ações continuadas Durante todo o ano o Baque Mulher promove ações e campanhas de empoderamento feminino e de sororidade entre as mulheres. Pelo menos uma vez por semana as mulheres do baque se reúnem para tocar e dançar nos ensaios abertos que acontecem no Recife Antigo. Além de um momento de aprendizado é também um momento de lazer para as jovens. Algumas campanhas O Baque Mulher leva para as meninas da comunidade e para o Brasil campanhas em prol dos direitos das mulheres e da saúde. O que a campanha propõe? Todo ano Mestra Joana realiza a campanha de amadrinhamento onde apresenta crianças e jovens da comunidade e os batuqueiros e as batuqueiras escolhem quem quer apadrinhar ou amadrinhar. Com isso forma-se um laço de cuidado onde o padrinho ou madrinha passa a participar da vida do/a escolhido/a. Incentivando, ajudando financeiramente, ouvindo e principalmente criando um laço de amizade e respeito. A principal função do projeto é apresentar pra jovem ou criança apadrinhada ou amadrinhada uma nova perspectiva, um novo olhar para seu dia-a-dia. Além de fortalecer o compromisso diário com a educação das crianças, adolescentes e jovens da comunidade. Poder dividir um pouco desse compromisso com os batuqueiros e batuqueiras é enriquecedor para todos os envolvidos. É a prova de que maracatu vai além do carnaval e do tocar, maracatu é acima de tudo união e cuidado. Deveres dos padrinhos e madrinhas: • Apoiar e incentivar o afilhado ou afilhada; • Acompanhar o desempenho escolar; • Aconselhar; • Participar do seu dia-a-dia, mesmo que a distância; • Fazer-se presente nas datas especiais como aniversários, Natal e outras mesmo que seja por telefonema; • Ajudar financeiramente para educação e manutenção do afilhado ou afilhada nas atividades culturais que participa; • Principalmente: Ter o compromisso de ser um bom amigo e boa influência na formação da afilhada/o como cidadã/o. Dever da afilhada/o: • Fazer-se presente no dia-a-dia do padrinho ou madrinha; • Cumprir suas obrigações escolares com dedicação; • Estar aberto a dialogar com seu padrinho ou madrinha; • Cumprir as obrigações nas atividades culturais que participa. Baque Mulher no projeto Recife Antigo de Coração Participou do projeto Recife Antigo do Coração, uma iniciativa da Prefeitura do Recife para revitalizar o centro histórico da cidade. Baque Mulher atravessa o Brasil Festival Internacional da Utopia - Maricá Rio de Janeiro O Baque Mulher participou em julho/2016 do Festival Internacional da Utopia. Um festival que acontece em vários países do mundo e veio para o Brasil, especificamente Maricá/Rio de Janeiro. As mulheres saíram com a Mestra Joana de Recife e foram participar desse evento belíssimo onde tocaram e se reuniram em rodas de diálogos emocionantes. I Encontro Nacional Baque Mulher - Sorocaba/São Paulo Após a criação do coletivo Feministas do Baque Virado houve um fortalecimento do Baque Mulher pelo Brasil. Desse crescimento e união nasceu o primeiro evento nacional idealizado pela Mestra Joana em parceria com o SESC Sorocaba. A união de mulheres de todo Brasil fez acontecer o I Encontro Nacional Baque Mulher. O evento trouxe jovens da comunidade do Bode que nunca haviam saído do Recife para compartilharem suas vivências quanto mulheres, mães e batuqueiras. A Mestra Joana convidou ainda para rodas de diálogos Mãe Beth de Oxum (embaixadora de Matrizes Africanas no Brasil), Tenily Guian, Nefertiti Coutinho, Roberta Marangoni e Carol Real (Batuqueiras do Baque Mulher Recife). Mulheres do Brasil inteiro no I Encontro Nacional Baque Mulher Participou do Encontro Navegante de Maracatu – Gèlèdé em Ribeirão Preto/São Paulo. Representado pela Mestra Joana Cavalcante, pela Iyabá Tenily Guian (batuqueira do Baque Mulher Recife) e pelas mulheres das cidades vizinhas que tocam no baque mulher. A Mestra Joana ministrou oficinas de baque e também organizou uma das primeiras reuniões das Feministas do Baque Virado com o objetivo de organização do coletivo e das metas. O Baque Mulher nos quatro cantos do Brasil Hoje diversos grupos de mulheres se reúnem para tocar Baque Mulher pelo Brasil. No Brasil: Baque Mulher Recife (Matriz) - PE Baque Mulher Arcoverde - PE Baque Mulher João Pessoa - PB Baque Mulher Rio de Janeiro - RJ Baque Mulher Sana - RJ Baque Mulher Santos - SP Baque Mulher São Paulo - SP Baque Mulher Sorocaba - SP Baque Mulher Campinas - SP Baque Mulher Americana -SP Baque Mulher Bauru -SP Baque Mulher Ubatuba - SP Baque Mulher Carapicuíba - SP Baque Mulher Ribeirão Preto - SP Baque Mulher São José do Rio Preto - SP Baque Mulher Maringá - PR Baque Mulher Londrina - PR Baque Mulher Foz do Iguaçu - PR Baque Mulher Cuiabá - MT Baque Mulher Manaus - AM Baque Mulher Pirenópolis - GO Baque Mulher Formosa - GO Baque Mulher Joinville - SC Baque Mulher Florianópolis - SC Baque Mulher Blumenau - SC Tem Baque Mulher atravessando fronteiras. Internacionais: Baque Mulher Mendoza - Argentina Baque Mulher Berlin - Alemanha Ficha técnica: Texto: Soraia Melo, Mariana Bianchi, Mestra Joana e Nayara Lira Projeto Gráfico e Diagramação: Nayara Lira, Mestra Joana Revisão: Mariana Bianchi Rua Moeda, 127, Recife, PE Brazil  Rua Da Moeda - Recife Antigo baquemulher@gmail.com

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